Veraneio vascaína


Quem tem hoje quarenta anos ou mais, vai se lembrar da música do Aborto Elétrico que, após a divisão do grupo, ficou no espólio do Capital Inicial. A música falava do clássico automóvel que ficou famoso por ser usado como carro da polícia em todo Brasil, também comumente chamado de “camburão”. Ganhou o adjetivo de vasca&iacu;tena, na famosa música, pelo fato de terem as mesmas cores, em sua pintura, do brasão do time de São Januário, no caso, Branca, Preta, Cinza e Vermelha e ficou estigmatizado exatamente por isso, como ícone do período de repressão que vivemos no período posterior a 1964. Era símbolo daquela época de enorme Repressão e nenhuma democracia.

Repressão é o oposto de democracia. A pergunta que faço é se vivemos hoje uma verdadeira democracia no Estado do Ceará. Os mais legalistas, certamente, dirão que sim, afinal os governantes foram eleitos pelo povo diretamente. Entretanto, podemos falar efetivamente em democracia quando não temos oposição? Quando não há qualquer contestação quando o Governador decide municiar nossas polícias (civil e militar) com um dos carros mais caros de hoje (novas veraneios), sem levar em consideração outras opções semelhantes e mais baratas e ninguém diz nada? Quando o Governador fala em uma Assembléia Pública de Licitação que se alguém contestá-la na justiça estará comprando uma briga pessoal contra ele e todos baixam a cabeça? Quando se vê rumores e suspeita de corrupção de membros do TCE e da Assembléia Legislativa e nada é feito, pois todos são aliados ao Governo?

Há coisas hoje no Governo do Estado que me fazem perguntar se realmente estamos vivendo uma democracia, muito mais que nos momentos de minha adolescência, quando eu via uma veraneio vascaína dobrando a esquina.